Racionalidades Médicas: Homeopatia

A partir de hoje você, começaremos a postar semanalmente, uma série de reportagens sobre racionalidade médicas. Racionalidades médicas são todas as diferentes formas de medicina que existem no mundo. Além da nossa medicina ocidental tradicional, temos também a homeopatia, a ayurvédica, a tradicional chinesa, a fitoterapia e inúmeras outras. Hoje falaremos da homeopatia.

A homeopatia é uma forma de pensar e cuidar médico desenvolvida por Samuel Hahnemann no final do século XVIII. Na época, a ciência estava em franco desenvolvimento, com a descoberta do microscópio, dos microrganismos e a autorização dos estudos anatomopatológicos de cadáveres. Além disso, ainda se usavam terapêuticas hoje em dia consideradas terríveis, como as sanguessugas, eméticos e purgantes para eliminar os maus humores do organismo. Essa fragmentação do ser humano pela medicina ocidental tradicional, e o descrédito da medicina pela sociedade naquela época fez esse médico alemão pensar diferente. Em oposição a essa tendência, Hahnemann resgata princípios da medicina grega de Hipócrates, como a cura pelos semelhantes e inclui a visão do ser humano como uma criatura que possui corpo, mente e espírito, teoria chamada de Vitalismo.

Os primeiros medicamentos homeopáticos concebidos por Hahnemann e seus seguidores se baseavam na experimentação na pessoa sadia. Eles realizavam experiências, na maior parte das vezes consigo mesmos, em que ingeriam uma substância, que poderia ser um extrato de planta, animal ou elemento inorgânico, e anotavam tudo o que se modificava em sua personalidade e organismo com a ingestão. A partir daí, Hahnemann idealizou: se o semelhante cura o semelhante, pode-se utilizar uma substância para curar uma doença que ela própria pode causar, diluindo-a tanto que dela praticamente só se obterão os seus efeitos curativos, e não seus efeitos tóxicos. Hahnemann criou um método chamado até hoje de dinamização. Dilui-se a substância em um veículo (água, açúcar ou lactose) em uma determinada proporção (geralmente 1/10 ou 1/100). Então, a substância diluída é “dinamizada“, ou seja, ela sofre sucessivos choques (sucussões) contra um anteparo (mesa, martelo ou pilão). Depois, era novamente diluída na mesma proporção, e novamente dinamizada, em doses infinitesimais.
Há inúmeras teorias de como funcionam os medicamentos homeopáticos. Hoje em dia, com o avanço da física quântica, muito tem se falado sobre as dinamizações provocarem impressões nas eletrosferas dos átomos que compõem os veículos, através da introdução de novas nanopartículas a elas. Não há comprovações para essas teorias, mas elas explicariam o fato de o medicamento homeopático perder a sua função quando exposto à luz ou ao calor. Como elas agem dentro do organismo é ainda mais obscuro, pois a homeopatia não funciona na lógica dos receptores farmacológicos da medicina ocidental.

Existem quatro escolas dentro da homeopatia: o unicismo, o pluralismo, o complexismo e o organicismo. O unicismo é a escola mais conservadora de todas, fundada por Hahnemann. Nela argumenta-se que existe apenas um medicamento que pode curar uma pessoa, tanto em uma fase aguda quanto numa crônica. Para isso, deve-se fazer uma caracterização detalhadíssima de todos os traços de personalidade, e todos os sinais e sintomas de uma pessoa, e a partir daí se prescreve o “simílimo“, o medicamento que provoca reação mais semelhante à que o indivíduo apresenta. No argumento de que é muito difícil, ou praticamente impossível, decorar todos os medicamentos homeopáticos, e que o corpo pode apresentar mais de uma tendência de adoecimento ao mesmo tempo, os pluralistas usam medicamentos de formas alternadas, mas nunca ao mesmo tempo. Os que usam medicamentos de formas alternadas são os chamados complexistas. Para estes, o corpo, a mente e a energia vital são resultado da interação de sistemas complexos que precisam de diferentes medicamentos, que podem ser dados ao mesmo tempo. Por último, os organicistas trabalham numa lógica parecida com a dos alopatas, tratando especificamente as doenças.

Seja qual for a escola do médico homeopata, o fato é que muitas pessoas aceitam essa medicina como forma de tratamento, dizem que dá resultado e são muito satisfeitas com elas. Muitos estudos sérios mostram que a homeopatia não funciona só por efeito placebo. Além da questão da cura que a homeopatia propõe-se a oferecer, também há a questão de um atendimento mais humanizado por parte do médico, uma vez que ele precisa conhecer a fundo o seu paciente para que possa tratá-lo, levando a consultas longas em que o paciente se revela ao médico e muitas vezes acaba descobrindo traços seus que não havia percebido.
Você já foi a um médico homeopata? Ele está no http://impaciente.org/! Avalie como foi o seu atendimento!