O perfil dos usuários do SUS

Possuímos um sistema de saúde universal, com porta aberta para todo e qualquer cidadão brasileiro em toda a extensão territorial do país. Porém, ainda com toda essa abertura, observam-se diferenças na procura pelos serviços de saúde, mesmo por aqueles que atuam de maneira suplementar, através das operadoras de planos de saúde.

Recentemente, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), utilizando dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), estudaram o perfil dos usuários dos serviços de saúde no intervalo entre 2003 e 2008, destacando pontos como o socioeconômico, tipo de atendimento e de serviço, os motivos da procura e etc.

Ficou evidenciado que o SUS responde pela saúde de 190 milhões de pessoas, sendo os planos de saúde responsáveis por quase 50 milhões, o que de certa forma representa uma cobertura simples, uma vez que mesmo atendidos pelos planos, esses indivíduos ainda são cobertos pelo sistema público.

No que tange aos resultados, os pesquisadores observaram que as mulheres procuram mais os serviços em relação aos homens (17% x 12%). Além disso, houve crescimento na procura por parte da população idosa e nos extremos de escolaridade. Um fato curioso foi que, pessoas que possuem planos de saúde procuram mais pelos serviços em relação aos que não tem. Dentre as causas, destacaram-se motivo de doença, em primeiro lugar seguido de atividades, como pré natal, vacinação e outros.

Um outro dado interessante foi o de que as regiões Norte e Nordeste utilizaram mais os serviços do SUS, enquanto o Sudeste foi a região que menos buscou tais serviços.

Estudos como esse mostram que ainda há diferenças na maneira como os serviços de saúde se organizam e se articulam, sejam dentro do setor público ou entre este e o setor privado. Quando analisadas por regiões, essas diferenças ficam ainda mais evidentes, apontando, praticamente, dois “Brasis”, com o norte e nordeste, quase que em sua totalidade, fazendo uso dos serviços públicos. Além disso, é preciso ressaltar a iniciativa de estudar o perfil dos usuários, o que serve de espelho da realidade dos mesmos.

O entendimento desse cenário é de fundamental importância para a organização e melhor estruturação dos serviços. Compreender quem procura e suas principais demandas permite corrigir erros, além de desenvolver ações estratégicas para tornar-se mais resolutivo e eficiente na oferta dos serviços de saúde, o que aumenta a legitimidade do SUS. Para os pesquisadores, estudos como este podem orientar ao desenho das políticas de saúde e de melhoria do desempenho.

Continuando nessa linha, os autores assinalam que as informações produzidas pela PNAD permitem conhecer a cobertura dos serviços segundo o tipo de financiamento que as pessoas têm, e como essa condição interfere no uso dos serviços. No entanto a busca de serviços de saúde não é uma função exclusiva da necessidade, mas de diversas determinações que explicam variações entre grupos sociais, áreas e oferta de serviços.

Para mais informações, acesse: http://dssbr.org/site/2012/04/quem-usa-o-sistema-unico-de-saude-2/

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