“Diabetes mata quatro vezes mais do que AIDS”

Esse dado, ao qual faço referência no título, foi veiculado logo um dia antes do Dia Mundial do Diabetes (14/11) pelo Ministério da Saúde e demonstra a crescente preocupação com o aumento de pessoas que faleceram por consequência direta do Diabetes. Muito além, esse dado reflete a dificuldade enfrentada pelos profissionais de saúde e pacientes no manejo dessa doença que, em 2010, participou direta ou indiretamente no óbito de quase 123 mil pacientes, enquanto que a AIDS levou ao óbito 12 mil pessoas e os acidentes automobilísticos causaram o falecimento de cerca de 42 mil óbitos.

Para entender melhor o fenômeno devemos analisar, primeiramente, as estratégias de prevenção das duas doenças. Enquanto a AIDS, ganhou notoriedade e causou medo na década de 80, ocasionando extensivas campanhas de prevenção e informação sobre a doença, o diabetes tem sua estratégia de prevenção mais tímida e com pouco impacto. Além disso, o diabetes é uma doença crônica de difícil controle, quando este é exercido apenas por medicação e insulina. A evolução das pesquisas na AIDS, associada ao manejo dos fatores de risco para infecção (exposição ao vírus por via sexual ou uso de agulhas contaminadas, por exemplo) fez com que os pacientes com a Síndrome sobrevivessem mais e inclusive tenham filho sem infeção.
Com isso, fica evidente a face mais feia da medicina contemporânea: a medicalização. O despreparo de alguns médicos em informar sobre os fatores de risco para o desenvolvimento do diabetes e em conseguir a adesão de seus pacientes a hábitos de vida mais saudáveis, demonstra que o perfil do médico precisa se adequar a essa realidade.

Enquanto que na AIDS, o medicamento auxilia no controle da quantidade de vírus circulando (Carga Viral) e no aumento de Células de Defesa (Linfócitos T CD4), aumentando a sobrevida do paciente, no diabetes o simples uso de medicamentos sem a mudança do estilo de vida tem pouco impacto. Nessa hora, programas de fornecimento de medicamentos gratuitos ou construção de academias da saúde terão impacto reduzido, caso os profissionais de saúde, especialmente o médico, não participarem da vinculação desses itens aos benefícios a serem alcançados, como a redução do peso e da taxa de glicose no sangue, por exemplo.

O desinteresse do médico em convidar seus pacientes para atividades que beneficiarão não apenas a saúde da população, mas, sua saúde também, faz com que a academia, ou a prática de exercícios físicos sejam apenas parte de um discurso da consulta (aquela velha frase de todo médico: “Você tem que se cuidar e fazer exercício!”). Para alguns médicos, seu papel é apenas fazer esse discurso e prescrever o medicamento.

Uma observação interessante que gostaria de apontar é: alguns médicos são exemplos vivos do que não se deve fazer. Sua prática se enquadra perfeitamente na máxima : “Faça o que eu digo, mas, não faça o que eu faço”.

Portanto, é preciso mais do que um discurso por parte da equipe de saúde. Esta deve conquistar seus pacientes, convencê-los de que o tratamento é importante para sua saúde e aumento da expectativa de vida, e que este não deve ser feito apenas com remédios, mas com uma mudanças dos hábitos de vida.

Para acessar a notícia completa, acesse: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2012/11/diabetes-mata-quatro-vezes-mais-que-aids-no-brasil-diz-ministerio-da-saude.html

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