Crack – uma questão de segurança pública

Semana passada falamos do crack e sua relação com a saúde do usuário. Hoje, é a vez de falar sobre outra face do problema: o tráfico de drogas, a violência e o crack. Uma parte muito complicada e polêmica da epidemia do crack que tentaremos abordar.
Como já falamos na última publicação, o crack é um derivado da pasta base de cocaína. Essa pasta tem de vir de algum lugar. Até onde se sabe, a coca, planta de onde é extraída a cocaína, não é plantada no Brasil. As principais fontes da cocaína que chega ao Brasil são a Colômbia e a Bolívia. Esses países, mais o Peru, produzem cerca de 1 milhão de toneladas de cocaína por ano, sendo a Colômbia responsável por 75% da produção. No mundo, o narcotráfico fatura US$400.000.000.000,00 (sim, quatrocentos bilhões de dólares) ao ano! É uma indústria poderosa, que interfere com governos locais, possui braços armados, e é responsável por muito da violência da América Latina.
A cocaína chega ao Brasil pelas fronteiras desses países com Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, ou então é transportada até o Paraguai e atravessa a fronteira pelo Paraná. Desses estados, a droga é distribuída ao Brasil inteiro. A droga passa por São Paulo para chegar ao estado do Rio de Janeiro, onde é comercializada por traficantes. Na cidade do Rio, o tráfico é repartido por diversas facções, que controlam comunidades pobres e entram em choque com frequência, produzindo muitas vítimas todos os anos.
O crack chegou a São Paulo na década de 1990, mas no Rio seu passado é mais recente, datando do final dos anos 2000. Ele é vendido nas chamadas “cracolândias”, locais pouco ocupados pelo Estado, e bastante acessíveis a traficantes, que vendem o produto livremente a quem o buscar. As cracolândias geralmente ficam em locais com baixa movimentação financeira e pouco policiamento, mas não necessariamente longe de moradores, que muitas vezes são atormentados pelos usuários e traficantes durante a noite.
No Rio de Janeiro, havia uma grande cracolândia próxima à favela de Manguinhos, zona Norte da capital. Com a ocupação da comunidade pelo batalhão de choque e repressão ao tráfico no local, houve uma reorganização dos locais de venda e consumo que gerou a crise em que agora nos encontramos: uma cracolândia em plena Avenida Brasil, próxima à favela Parque União, pertencente ao complexo da Maré, também na zona Norte.

A estratégia tomada pela Prefeitura tem sido operações de acolhimento, em que usuários são convencidos a dar entrada em casas de internação. O que tem acontecido de fato são operações em que a polícia militar e os assistentes sociais vão à cracolândia e levam muitos usuários de drogas até os locais de internação, onde podem optar por receber o acolhimento ou voltar para a rua.

Usuários de crack na Av. Brasil têm atravessado a rua em qualquer ponto, de maneira súbita e desorganizada, atirando-se na frente dos veículas e colocando em risco sua segurança e à dos motoristas. Os motoristas quase têm de parar, quando há engarrafamento, e estão sujeitos a assaltos e ataques dos usuários desesperados por consumir mais droga.
Pensando na situação, o prefeito Eduardo Paes tem muito falado da internação compulsória como forma de solucionar o problema. Não pretendemos aqui responder a pergunta “internação compulsória, sim ou não?”, mas trazer os pontos principais do problema à reflexão. Semana que vem, fecharemos o assunto com um texto sobre a questão social do crack. Enquanto isso, que tal pesquisar mais sobre o assunto?

Antes, dê uma passada em nosso site, e dê sua opinião sobre o atendimento médico que recebeu! www.impaciente.org

Fontes:

http://www.brasil.gov.br/enfrentandoocrack/videos/galeria-de-videos-campanha-regionalizada/crack-e-possivel-vencer-rio-de-janeiro


http://latino.foxnews.com/latino/news/2012/08/19/brazilian-drug-dealers-say-no-to-crack-in-rio/