Comunicação com pacientes em estado vegetativo

A comunicação com pacientes com demência, em estado vegetativo ou até em coma ainda é um dos grandes desafios para a prática médica. Como saber até que ponto vai a compreensão dessa pessoa? Será que ela concorda com os procedimentos? Será que está confortável? Ou sente dor? Recentemente cientistas canadenses deram um passo a frente na solução desse enigma.

Scott Routley, 39 anos, sofreu um acidente há 12 anos e desde então nunca mais foi capaz de falar ou sequer de focar o olhar. Em seu estado vegetativo ele era capaz apenas de abrir os olhos e respirar naturalmente, ou seja, sem ajuda de aparelhos. Nesse cenário, não era possível dizer se ele estava consciente ou não do mundo a sua volta.
A dúvida foi sanada com o trabalho de um grupo de neurocientistas da Universidade de Ontário, no Canadá, dentre eles o Dr. Owen. Nessa época esse médico e sua equipe já eram conhecidos por conseguir justamente, estabelecer níveis de consciência em pacientes vegetativos. Eles treinam esses pacientes para que eles consigam se comunicar.Você pode estar se perguntando como. Vamos explicar!
Durante um exame de ressonância magnética, onde são retiradas fotos em sequência do cérebro, o paciente é estimulado a imaginar coisas de seu cotidiano, como andar pela casa ou praticar algum esporte. Em cada uma dessa situações, uma parte distinta do cérebro é ativada. Em seguida, relaciona-se cada uma com respostas simples como SIM ou NÃO. No exemplo dado digamos que andar pela casa signifique SIM e praticar esportes NÃO. Daí para frente basta fazer as perguntas e observar que áreas do cérebro estão se iluminando. Foi assim que Routley foi capaz de informar aos médicos que não estava sentindo dor.

Routley não foi o primeiro paciente em estado vegetativo se comunicar. Em 2006, na Bélgica, um homem em estado vegetativo há 23 anos conseguiu o feito, através de um dispositivo conectado a um computador e, em 2010, um paciente em coma há 7 anos também respondeu sim e não através de um escâner cerebral.

Esses casos, ainda que raros, nos levam a uma constatação importante: um paciente que nos parece inconsciente pode, na verdade, não apenas estar consciente como também, ser capaz de participar de decisões do dia-a-dia.

Por Bruna Reis

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