Câncer Infantil: a hora de mudar

O dia 23 de novembro foi  instituído como o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil para lembrar e alertar sobre a gravidade dessa condição para os pacientes, familiares e, por que não, para o próprio sistema de saúde. Pouco lembrado por muitos médicos como possível diagnóstico diferencial no momento do atendimento, esse tipo de câncer é condição grave, que merece atenção de todos, principalmente durante a graduação. Deve-se enfatizar que o diagnóstico precoce é o principal fator que auxilia nas melhores possibilidades de cura.

Um fato que chama nossa atenção, é que não existe um registro real de diagnóstico de câncer infantil. Pelo menos no estado do Rio de Janeiro, não se observa organização suficiente para as informações desses pacientes. A falta de dados concretos e organizados é um obstáculo que dificulta a estruturação desse setor da saúde pública. Sem informações oficiais, estima-se que, apenas 10% dos pacientes conseguem chegar a um tratamento eficiente ainda em fase inicial da doença. A maioria chega através de grandes emergências, com diagnóstico tardio após alguma complicação da doença. Nesse estágio encontra-se, por muitas vezes, um quadro avançando, no qual as possibilidades de cura são cada vez menores.

Contribui para essa realidade o fato de que muitos médicos, presentes em setores da atenção primária, ou em unidades de pronto atendimento desconhecem tal diagnóstico. Assim, não chegam a cogitá-lo durante um atendimento. Se o contrário ocorresse, muitas crianças poderiam ser encaminhadas mais rapidamente para o serviço de pediatria e, assim, fazer parte de um fluxo com potencial enorme de cura. Como explicação para isso, podemos citar: graduação médica com falhas curriculares; médicos recém formados sem o conhecimento da doença atuando em diversas portas de entrada; falta de serviços informativos e cursos de educação continuada para profissionais de saúde, etc.

A melhora da cobertura passa por uma boa rede de serviços de saúde. A construção de um fluxo, no qual os pacientes sejam descobertos precocemente e assim direcionados para serviços de complexidades maiores é peça fundamental para o controle dessa realidade. Porém, esbarra em questões burocráticas e na falta de vontade dos próprios profissionais da saúde. 

Mudar esse fato é urgente, uma vez que as chances de cura crescem quanto mais precoce for o diagnóstico do câncer. Um esforço das autoridades é necessário, mas a participação dos médicos, principalmente os recém formados também é muito importante. A hora de mudar é agora. Ainda há tempo para se mudar esse triste fato e garantir um futuro bem melhor para muitas crianças brasileiras.




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