Adolescência e saúde

A adolescência é um período de grandes mudanças, tanto no corpo quanto na mente. A pessoa se despede da infância e sua tranquilidade e inocência, e de repente se depara com um novo “eu”. Pelos começam a nascer onde não existiam, a voz muda, os desejos mudam, a relação com os pais e os amigos mudam… Na cultura dos dias de hoje, a adolescência é considerada uma fase à parte na vida do indivíduo, uma passagem para a vida adulta, cheia de conflitos e novas experiências.

Quem cuida do adolescente? O pediatra? O clínico geral? Antigamente, existia uma especialidade específica para cuidar da saúde do adolescente: o hebiatra. O nome alude à deusa grega Hebe, a deusa da juventude. Hoje em dia, a hebiatria é uma subespecialidade dentro da pediatria. Ou seja, teoricamente, a responsabilidade do cuidado pelo adolescente é do pediatra. O médico de família também é formado para lidar com a saúde do adolescente. Mas isso não impede que o clínico geral, devidamente capacitado, possa participar.

Os adolescentes têm seus próprios problemas. Sendo uma época muito conturbada da vida, aumenta muito a incidência de certas doenças psiquiátricas na adolescência – depressão, bulimia, anorexia, suicídio. Também aumentam questões relacionadas não só à saúde, mas à sociedade, como a violência e o consumo de drogas ilícitas (lembrando que álcool e tabaco são ilícitos para adolescentes, além da maconha, cocaína e outras). A gravidez na adolescência e as doenças sexualmente transmissíveis são outro problema sério.

Nota-se logo que boa parte das questões de saúde dos adolescentes são relacionadas ao psicológico. A família e a escola têm papéis fundamentais para ajudar os adolescentes a lidarem com as mudanças, e se adaptarem de forma saudável a elas. Abordar a sexualidade em casa e na sala de aula é necessário, e deve ser feito com naturalidade e sem pudor. Abordar a questão dos relacionamentos afetivos, a questão do gênero e da orientação sexual, do prazer sexual e das doenças sexualmente transmissíveis, em casa, pode fazer do adolescente uma pessoa mais esclarecida, e menos suscetível a problemas relacionados.

O adolescente é uma criatura dividida entre dois mundos: de um lado, o desejo de se tornar adulto e independente, e o desejo de fazer parte de um grupo com o qual tenha identificação, externo à família; de outro, a necessidade de orientação da família, numa transição entre os pais como tutores e os pais como amigos e conselheiros. Se a família lidar de forma rígida demais com ele, corre o risco de ter um rebelde em suas mãos. Se for muito complacente, deixa o adolescente desorientado frente às mudanças em seu caminho.

O adolescente, fisicamente falando, é muito saudável. Pouco vai precisar do médico para tratar de questões patológicas – as maiores queixas não psiquiátricas são em relação à acne e outras doenças dermatológicas. O professor de educação física, o nutricionista e o psicólogo são fundamentais para a manutenção da saúde do adolescente. O médico vem como coordenador e fiscal, para atuar prontamente quando algo não vai bem.

Se você é adolescente, que tal conversar com um médico para saber como vai a sua saúde? Se você é pai, que tal conversar com seu filho sobre sua saúde? Comentem como foi seu atendimento depois em http://impaciente.org/!